É difícil conter esse suspiro. O chato é não saber de onde ele vem ou veio – tanto faz. É o tal estar apaixonado sem sentir de verdade. Já me apaixonei pelo nada. Aliás, todo dia eu invento amores e teço palavras tão carregadas de verdade… Mas no fundo finjo. O que há de mal? O poeta não é um fingidor, no fim das contas? Escrever não é retratar e fantasiar ao mesmo tempo? Não sei, só o que sei é que vivo suspirando sem saber o porquê.
Adoro as quebras de expectativa. Amo direcionar as pessoas – os leitores, para ser mais exato – para um caminho e depois mudar o fim. Detesto fazer disto tudo um enorme diário como uma forma egocêntrica de fazer com que leiam o que penso realmente. Uma andorinha só não faz verão assim como uma verdade não faz magia. Mentir é necessário. Se revelar é ingenuidade demais para a perversidade literária. Ser como autor o narrador é risco demais, é exposição demais. Há sempre uma coisa a se criar…
Escrever é perpetuar a atuação, é ter nas mãos todo o poder de ser o criador e a primeira vítima ao mesmo tempo. Há pessoas que vão estranhar o que digo, mas os meus mais profundos e verdadeiros textos não são feitos de verdade. Nada é inteiramente aquilo. Nem tudo foi um sim. A história, por mais que começada por um sim, não é conduzida apenas por eles. Nem tudo o que se lê é verdade verdadeira. O que se esconde nas paredes da antiguidade para formar o que hoje é puro ninguém sabe. E como saber? Então nenhum texto é inteiramente o autor. Há sempre um extra. Há sempre um sabor. Há sempre – no fim das contas e por mais ignóbil que seja encarar – uma linda, e brilhantemente arquitetada, mentira.
Costumo dizer que toda mente artística é uma mistura de surto com lucidez. Expressar fúrias ou alegrias não é tão claro quanto parece. Faz tudo parte de uma revolução louca dentro da gente que faz sair as mais cuspidas e pensadas palavras… Faz, sim, tudo parte de uma gigante explosão. E não me canso: escrever é implodir e explodir – novidade de qualquer ângulo. Não é à toa que um momento banal faz belas artes…
Enfim… Revelei aqui parte do acontecer poético. Usei pouquíssima retórica neste texto – não estou com muitos luxos, pois minha qualidade de escrita andou caindo. Mas foi delicioso revelar aqui um pouquinho do surto e da lucidez que agora estão se fazendo na minha mente. Só não sei se tudo aqui é verdade e nem sei dizer agora onde maquiei o meu texto, mas fiquem certos: escrever, definitivamente, não é revelar ou descobrir; é incendiar.
João Pedro Innecco
Como sempre seu texto está repleto de significados e contextos. É gostoso de ver como consegue nos conduzir para tantos lugares e sensações diferentes com tão poucas linhas. Acho que o bom escritor consiste nisso; saber nos guiar. E isso, maninho, você faz muito bem! Sucesso! Beijos.
Obrigado por ter escrito isso.
Obrigado a você por sempre passar por aqui, cara! O que houve com o seu blog?
Abraços
Olá eu sempre acompanho lendo, mas na correria não parei para comentar tudo de tão bonito que esta escrito. As palavras pensadas ou não ficam escritas como labaredas que deixam marcas em todas as mentes e corações. Parabéns! Beijos,
Gabriela
Primo, você é demais!
Incrível, não sei explicar o que penso e sinto no momento em que leio o que você escreve….
Beijos enormes e bons incêndios !
Meu irmão lindo, obrigada por nos incendiar!
Vc é maravilhoso!!!
Você arrebenta e sabe disso !
Continue arrebentando e eu continuarei sua fã !
hahahaha Adoro você !