Libertador

Publicado: 1 01UTC janeiro 01UTC 2011 em Uncategorized

Libertador… Sabe o que acho libertador? Poder sentar e olhar com calma a paisagem. Mas sem culpa nenhuma, sem pressa, sem medo de se atrasar… Olhar pras dobras que as ruas fazem e ficar imaginando todas as curvas e contorções que a vida já deu e ainda dará. Pensar um pouco em alguém, esclarecer na mente todo o agora, explicar o futuro pra você mesmo. O problema de fazer tudo sem pensar muito é não direcionar o objetivo. Às vezes até nós mesmos precisamos nos ditar as regras para que não saiamos da linha. Assim como fazer tudo só pensando no amanhã também é inválido, pois no que adianta não ter o presente correto e ativo?
Não sei o porquê, mas hoje acordei com a sensação de que tem algo estranho dentro de mim. Um vazio enorme… É triste senti-lo. Pode parecer besteira, mas não é. Sabe quando você está sentindo uma frustração enorme e não sabe o porquê? Foi assim que eu acordei. É óbvio que eu especulo com o meu olhar de lupa todos os meus atos. Mas nenhum deles responde todo o questionário que em mim se fez nesta manhã.
Mas tudo isso, todo esse sentimento que parece lâmina continua cruelmente indizível. E indizivelmente cruel também. Não é à toa que procurei o papel pra tentar explicar pra mim mesmo o que está morando dentro dessa caverna que sou. Será vontade de mudar? Será vontade de falar, de chorar? Mas chorar o que? Repito: chorar o que? De todos os meus defeitos e problemas – de todas as minhas rachaduras – qual resolveu gritar hoje? Qual parte de mim está liberando essa toxina importunável que causa essa intensa bomba relógio? Vai saber…
Eu ainda escrevo por isso. E escreverei até todos os meus questionamentos se esgotarem, até eu conseguir explicar para mim, de uma forma totalmente única e diferenciada, como tudo acontece no mundo. Já estudei toda a química e a física, mas nada me explica o negro buraco que apareceu em mim – nem a semântica, nem a psicologia. O negócio é continuar a explorar a máquina que o homem é. Quem sabe assim, por linhas tortas e completamente alheias a mim, eu descubra o que me persegue do levantar ao deitar, e consiga deixar de ser a maior interrogação que o mundo já conheceu.
Enfim, de todas as palavras que pus pra fora, nenhuma conseguiu me mostrar o erro nessa equação. Fiquei em baixo do chuveiro durante horas pra tentar lavar a alma. Mas nunca conseguirei me atingir se nem eu mesmo me conheço. Essa cadeia inacessível que sou me faz uma incógnita gigante, que finjo ignorar com o som das passadas rápidas. Hoje, a demanda me moldou completamente. O problema é achar a chave que irá resolver a problemática e abrir, de uma vez por todas, as portas dos meus mais profundos e interiores  pensamentos.

João Pedro Innecco

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